Sobre

Fady Melek

Antes de o grading virar um botão na tela, eu estudava pintura e química na universidade — sem saber que aquilo era a porta de entrada perfeita para o cinema, uma área que vive bem na intersecção entre o técnico e o artístico. Lá estava eu, num laboratório de filme, escaneando e copiando rolos de filme de verdade, vendo como uma imagem se transforma, 15 anos antes de eu sequer encostar numa mesa de color grading digital. É por isso que os tons de pele e o comportamento físico da luz ainda vêm antes das ferramentas, nas minhas gradações. Muitos anos, países e projetos depois, esse mesmo instinto é o que eu ainda levo comigo.

FilmLight

Fady Melek é colorista sênior com mais de 15 anos de experiência na indústria cinematográfica. Formado em Arte e Química na universidade, Melek deu um salto transformador para o cinema em 2009, acumulando rapidamente mais de 30 créditos em longas-metragens. Depois de deixar o Egito, em 2011, ingressou na Technicolor, onde trabalhou em grandes filmes, entre eles Taken e Transporter. Em 2017, entrou para a Katara Studios, no Catar, como colorista sênior, função que ocupou até 2024. Durante esse período, a Katara Studios recebeu o Global Recognition Award 2024 e conquistou cinco Gold Telly Awards por projetos com color grading de Melek no Baselight 6.0: o videoclipe HADAF, o filme Kalilah and The Lost Chapter of Kelileh & Demneh e a série de TV Medinah. Hoje, Melek vive em São Paulo, Brasil, e trabalha como colorista sênior freelancer.

“Como foi a sua trajetória até se tornar colorista?”

F: Minha trajetória começou no trabalho com escaneamento e gravação (printing) na era do digital intermediate (DI). Fui apresentado à correção de cor e me apaixonei na hora: ela reunia duas das minhas coisas favoritas, a pintura e o conhecimento técnico. Comecei

como assistente de colorista e fui subindo até me tornar colorista sênior na Katara Studios.

“Conte mais sobre sua experiência como técnico de laboratório de filme e como ela influenciou sua transição para a correção de cor.”

F: Fui estudar química na universidade e, no terceiro ano, trabalhei em um laboratório de filme no Egito. Recebíamos filmes para escanear e copiar, e logo me senti atraído pela arte do cinema. Trabalhando em laboratório, você entende o poder das luzes de impressão (printing lights) e como elas podem transformar por completo o visual de um filme. Quando passei para o color grading, optei por um efeito globalmente homogêneo na imagem, em vez de um look baseado em máscaras e keying.

“Fale sobre sua função e seu trabalho na Katara Studios.”

F: Como colorista sênior e head de imagem, faço o color grading e desenvolvo o look de quase todo o conteúdo produzido pelo estúdio, de longas-metragens, programas de TV e videoclipes a documentários e comerciais. Também desenho o pipeline de VFX e de visualização no

set, tanto em SDR quanto em HDR. Foi um período extraordinário, tanto pelo nível técnico quanto por estar cercado de profissionais que pensam como eu. É inspirador!

“Você trabalha com conteúdos muito variados. Como lida com essa diversidade e tem preferência por algum formato?”

F: Na Katara Studios, temos contato com todos os formatos. Num dia estou em um longa-metragem, no seguinte estou finalizando um videoclipe da Copa do Mundo. O crédito é da nossa equipe de pós-produção, que desenvolveu um pipeline que nos torna muito eficientes. Gosto de todos os formatos, mas, no fundo, continuo sendo um apaixonado por cinema.

“Como você descreveria o seu estilo de color grading?”

F: Prefiro não ter um estilo específico: foco no que cada projeto precisa. Ainda assim, dou muita atenção aos tons de pele e a como são reproduzidos, pois é a minha referência para equilibrar e desenvolver o look.

“Conte mais sobre como você trabalha os tons de pele.”

F: Trabalhar tons de pele é delicado e extremamente importante. O espectador olha com muita atenção para essa parte da imagem, e grande parte da emoção da história é transmitida pelos tons de pele. O Chromogen é minha principal ferramenta. Cross talk de cor e clarear seletivamente os tons de pele, separadamente do resto da imagem, são abordagens poderosas.

“Você tem experiência com vários sistemas de color grading. O que faz do Baselight a sua ferramenta de escolha?”

F: A resposta é simples: um fluxo de trabalho sólido e ferramentas confiáveis. O Baselight oferece a flexibilidade necessária para trabalhar do jeito que você prefere. Mas, para mim, a inovação das ferramentas é incomparável. Quando a FilmLight lança uma nova ferramenta, você pode ter certeza de que ela não vai decepcionar nem comprometer a imagem no meio do projeto.

“Você já explorou o Baselight 6.0? Se sim, quais são suas impressões?”

F: O Baselight 6.0, com ferramentas como X Grade, Chromogen e todas as ferramentas espaciais, tornou o

color grading mais rápido e mais prazeroso. Com essas novas ferramentas, o céu é o limite para o que a imagem pode se tornar.

“Qual a importância do desenvolvimento de look e como você o aborda?”

F: Sempre reservo um tempo para conversar com o DoP e com a equipe de produção para criar um look que sirva como show LUT, normalmente scene-referred sob uma DRT específica. Depois disso, minha correção de cor passa a ser uma harmonia de ajustes sutis para que o material se encaixe e se mantenha consistente com o look criado, servindo às intenções gerais da direção de fotografia.

“O que você pensa sobre a evolução da profissão? Como enxerga gestão de cor e HDR?”

F: As ferramentas e a faixa dinâmica de hoje são muito superiores às da era do DI. O papel do colorista se ampliou, e seu envolvimento agora é fundamental em todo projeto. Trabalho 90% do tempo com um pipeline scene-referred. Usar a DRT T-CAM no Baselight é a forma mais confiável de renderizar entre diferentes padrões de display. HDR é simplesmente uma tela maior, mas sempre cuido muito do roll-off das altas luzes.

“Fale sobre o seu trabalho em The Pact. Como você chegou àquele visual áspero e cru?”

F: The Pact foi desenvolvida no estúdio, da pré-produção à entrega final, então fiz parte da equipe desde o primeiro dia. O DP Steven Whitehead e o produtor/diretor Ahmed Al Baker tinham uma visão

muito clara, então explorei diferentes estilos até chegarmos à sensação áspera, fria e crua desta série pós-apocalíptica. Um dos principais

desafios foi a grande quantidade de VFX: criamos um fluxo de trabalho sólido com o AUTOMATIK para automatizar toda a extração de plates, tornando o processo extremamente rápido.

“No que você está trabalhando agora ou vai trabalhar em seguida?”

F: Estou trabalhando atualmente em um longa-metragem chamado Where is Saood, um dos sete projetos recentemente aprovados pela Katara Studios, entre filmes e séries de TV.

FilmLight — Reportagem sobre Baselight e pós-produção com Fady Melek.

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Shades of Success
PROI INTERVIEW
NOVEMBRO DE 2024
SHADES OF SUCCESS

Fady Melek, colorista sênior com mais de 15 anos de experiência na indústria cinematográfica, esteve na Katara Studios de 2017 a 2024, onde trabalhou no color grading de filmes e séries de TV e gerenciou fluxos de trabalho complexos para projetos exigentes de VFX. Hoje é colorista sênior freelancer e vive em São Paulo, no Brasil.

Ele conta sua trajetória como colorista à BroadcastPro ME.

“Acredito que o papel do colorista se ampliou e que seu envolvimento se tornou fundamental em todo projeto”FADY MELEK, COLORISTA SÊNIOR, KATARA STUDIOS (2017–2024)

Conte sobre sua trajetória até se tornar colorista.

Minha trajetória começou trabalhando com escaneamento e gravação (printing) na era do digital intermediate (DI). Foi então que descobri a correção de cor e me apaixonei de imediato: ela reunia duas das minhas coisas favoritas, a pintura e o conhecimento técnico. Comecei como assistente de colorista e fui subindo gradualmente até me tornar colorista sênior na Katara Studios.

Conte sobre sua experiência como técnico de laboratório de filme e como ela influenciou sua transição para a correção de cor.

Fui estudar Química na universidade e, no terceiro ano, trabalhei em um laboratório de filme no Egito. Recebíamos rolos de filme para escanear e copiar, e logo fiquei fascinado pela arte do cinema. Em um laboratório, você percebe o poder das luzes de impressão (printer lights) e como elas transformam completamente uma imagem. Quando passei para a correção de cor, usei a mesma abordagem: em vez de criar um look com máscaras e keying, optei por um efeito mais globalmente homogêneo. Foi assim que minha experiência de laboratório influenciou meu estilo de color grading.

Fale sobre sua função e seu trabalho na Katara Studios.

Como colorista sênior e Head of Picture, cuido do color grading e do desenvolvimento visual de praticamente todo o conteúdo produzido pelo estúdio, de filmes e séries de TV a videoclipes, documentários e comerciais. Foi um período excepcional, não só pelo nível técnico, mas também por estar cercado de profissionais que pensam como eu. É inspirador!

Você trabalha com conteúdos muito variados. Como lida com essa diversidade e tem preferência por algum formato específico?

Na Katara Studios, temos contato com todos os formatos. Num dia estou em um longa-metragem, no seguinte estou finalizando um videoclipe da Copa do Mundo. O crédito é da nossa equipe de pós-produção, que criou um sistema e um pipeline que nos deixam muito eficientes para tocar vários projetos ao mesmo tempo. Gosto de tudo, mas, no fundo, sou antes de tudo um apaixonado por cinema.

Conte mais sobre como você trabalha os tons de pele.

Trabalhar tons de pele é uma tarefa delicada e extremamente importante. O espectador foca muito nessa parte da imagem, e grande parte da emoção da história é transmitida pelos tons de pele dos personagens. O Chromogen é minha principal ferramenta. Cross talk de cor e clarear seletivamente os tons de pele, separadamente da imagem como um todo, são técnicas extremamente eficazes.

Fale sobre a indústria de pós-produção no Oriente Médio. Quais são as principais oportunidades e desafios?

O Oriente Médio sempre foi um terreno fértil para histórias dramáticas. Há muitas oportunidades, por causa da riqueza de história e de narrativas ainda inexploradas. O principal desafio que vejo é o desenvolvimento lento de um sistema que proteja artistas e cineastas. Minha esperança é que isso evolua com a liderança certa, capaz de valorizar ao máximo o talento e a arte locais e de compartilhá-los com o mundo.

O que faz do Baselight a sua ferramenta preferida?

Um fluxo de trabalho sólido e ferramentas confiáveis. O Baselight oferece a flexibilidade para trabalhar do jeito que você quiser. Mas o que realmente se destaca é a inovação das ferramentas. Quando a FilmLight lança uma nova ferramenta no Baselight, você pode ter certeza de que ela não vai decepcionar nem comprometer a imagem durante um color grading.

Shades of Success — O olhar criativo de Fady Melek na indústria internacional.

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SDR· Dolby Vision· Longas-Metragens· Séries· Comerciais
Por que trabalhar com o Fady?

Mais de 15 anos em longas, séries e comerciais, com uma vivência de laboratório de filme que poucos coloristas têm. Isso inclui "Dreamers", a música oficial da Copa do Mundo FIFA 2022 do Jung Kook, além de comerciais de marcas de peso e longas premiados. O que importa agora é garantir que cada grade sirva exatamente o que o diretor e o diretor de fotografia imaginaram.

Quais formatos e entregas você atende?

Todos os formatos e resoluções — SDR, HDR, Dolby Vision e DCP.

Você trabalha com Dolby Vision?

Sim — o Fady é colorista certificado em Dolby Vision, com projetos entregues em DV para Apple e Roku.

Ele grada remotamente?

Sim — via Baselight Connect, de qualquer lugar do mundo, com um sinal com gerenciamento de cor perfeito, para que o diretor ou diretor de fotografia veja exatamente o que o Fady vê, ao vivo, no próprio monitor. Só precisa de um MacBook Pro ou um iPad. Detalhes em fadymelek.com/grading-studio.

Você viaja para trabalhar presencialmente?

Sim — disponível para viajar e trabalhar presencialmente no local do cliente, ou gradar remotamente via Baselight Connect. O que fizer mais sentido para o projeto.

O que torna a abordagem dele diferente?

Antes de entrar para o color grading, o Fady estudou pintura e química, e passou anos em um laboratório de filme escaneando e revelando película de verdade, vendo as luzes de impressão transformarem uma imagem fisicamente — muito antes de tocar em uma mesa de controle digital. Por isso os tons de pele e o comportamento físico da luz vêm primeiro nas gradações dele, não as ferramentas.